quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quarta-feira, Março 22, 2006

Fina flor do mar salgado que te envolves em espuma de maré.
Pétala frágil de amor perfeito e de cheiro azul verde mar pérola hipnotizante frondosa pirâmide de Gizé.
O mar leva o mar tira.
A semente no jardim fecunda e não menos vã é o amor que se afunda.
Nada até ao nada, suor de rosa em jardim de solário.
Quente cómodo sémen que constróis castelos e ditador solitário.
Paixões de silêncio e de musica de ondas de arte e notas musicais.
São sonhos meus paixões e vontades desmedidas de prazeres carnais.


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Segunda-feira, Abril 10, 2006

Não há duvidas que fruta boa, fruta da época não se vende nas grandes superfícies.
Fruta boa, fresquinha, com selo de qualidade do produtor.
Na praça no mercado. Aí ainda há negócio, piropo e conversa de sedução. Ainda se pode sentir, apalpar a fruta. Senti-la. As vezes até se prova.

Nas grandes superfícies, o embalado, o cosmético tratado,. blerghh... fruta de plástico...

Eu pessoalmente gosto do doce da fruta da época. Os olhos comem, mas não me tiram a fome.


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Quarta-feira, Abril 12, 2006

passou levou e não consigo esquecer
essa vontade de ser de tentar compreender
aquilo que ambiciono e desejo abraçar
uma vontade tremenda de me auto realizar

quero passar por cima evitar a memória
mas o passado é um problema
uma vida uma historia
uma questão um teorema

no silêncio da minha musicalidade
bem no centro dos tons e notas musicais
acaba por compreender a minha mentalidade
tão complexa e cheia de capacidade

no curto espaço de tempo
que a vida me oferece
evito o banco onde me sento
evito o pedido e a prece

agora quero mesmo ser
agora é que quero conseguir
sentir o sabor de vencer
ser um exemplo a seguir


sonhar é combustível é céu é inferno
é primavera verão outono e inverno
noite dia e meia tarde
nascer e por do sol
pássaro lírico livre e trovador
é paixão e tristeza
é desprezo e amor
é fome e sede e pouca vontade
é família e amizade


agora não quero que me impeçam
de ser o ser que quero ser
não quero não ser o que quis
quero ser o ser que sempre me fiz.


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Quarta-feira, Maio 31, 2006


Tenho vontade de ir, assumo. Chego ao balcão e peço um profiterole. Não me delicio assumo. Café e um cigarro. Assumo que preciso. Assumo, assumo e torno a assumir. Não dá para evitar. O autocarro está cheio de beleza, calor perfumes e mau cheiro. Na Avenida da Liberdade os solavancos misturam o conjunto, o perfume bom com a beleza e o suor. Afinal uma Capital é isso mesmo. Chego ao destino, um pouco aborrecido, náusea e mesmo sem vontade. Depois do café e do cigarro corro ao Privado do emprego. Alívio, assumo que fico aliviado. Oficialmente começa o dia aí.
Sentado, aprecio a beleza feminina na passerelle urbana. Colecção Primavera Verão. Fico a imaginar o amor que podia oferecer. Os olhos são o espelho da criatividade em certas paixões momentâneas. A beleza move-se. Anda por aí. Tenho que ter os olhos sempre preparados. Galerias de arte urbana em movimento. Por todo o lado ha colecções extremosas, compostas galantes. Retro e Contemporâneas. Mas a essência senhores, essa à mulher pertence, e tão bela que ela anda...

Os olhos são os violadores amputados da vontade aprisionada das necessidades selvagens da mente humana.


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Terça-feira, Junho 20, 2006


Não saias da linha. mantém-te na linha. É o teu percurso.
Se descarrilas não voltas à virtude.
Comporta-te, mantém-te na linha.
Se queres ter sucesso... mantém-te na linha.
Não abuses, guloso. Gordo, mantém-te na linha. Olha para essa figura balofa.
Sei de alguém assim. Fora da linha.
Essa linha direita na ondulação mundana. Essas espirais infinitas que tão perto se roçam mas que nunca se abraçam.
Sai da linha, sai MAS SÓ POR NECESSIDADE!!!...


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Terça-feira, Outubro 03, 2006


Preso que nem cão, atrelado. Rugia por todo o lado. Suava mais alto que o vento e o meu cheiro entranhava-se na água que bebia.
Nesse dia jurei a mim mesmo que não voltava a cometer o erro. O erro que não interessa.
Um erro é um erro. E o erro isola. O erro exclui. O erro divide, chuta, magoa, aponta, esquarteja, dilacera, moí,corroí a mais ínfima parte do corpo, o mais intimo órgão das tuas ideias, ordinárias ideias e tudo o que gostas e que te rodeia.
Fiquei só com o pouco que não pouco era mais que muito.
O erro consumiu tudo.
Pensamentos ordinários que não se escrevem sozinhos. Pensamentos aculturados, mal interpretados, estúpidos e ridículos para tantos.
Mas aqui acorrentado, olho em frente, lembro-me do passado.
Olho para traz, lembro-me dos sonhos que me guiavam, que me empurravam, que me faziam crer que era possível, que me faziam acreditar que as pessoas não eram lixo, miseráveis, mesquinhos. Não passava de uma fase. Que a crise se vencia, que o mundo mudava.

Inocente criança. Esses sonhos inocentes que nos fazem crescer. Ainda bem que neles acreditei. Acorrentado, ergo a cabeça, olho nos olhos do mundo e não tenho vergonha.

Malvados...


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Quarta-feira, Novembro 15, 2006

Acordei sem dedos hoje. Onde estão os dedos? Perguntei eu ao que de mão não se parecia mas que desprovida de, não deixava de o ser. Incompletas. Onde estão os dedos? Procurei nos lençóis, debaixo da almofada. No sexo do amor. Na minha boca, no lixo na carteira até mesmo na caixa do correio.
Onde deixei os dedos? Por favor. Não gosto dessas brincadeiras logo pela manhã. Tenho que me lavar, vestir, tenho que me por a andar para a história de mais um dia.
DEDOS. DEDOS.
Podem aparecer. Sem medo. Não há castigo. Voltem à santa casa das minhas mãos que sem se parecerem não deixavam de o ser.
Subitamente ouvi algo. Algo metálico. Um tilintar. Vinha de dentro de uma caixa que guardo estupidamente e com desprezo em cima de um móvel no quarto.
Lá estavam eles. Em festa, embriagados com os anéis que não uso. Nem deram pela minha presença.
Deixei-me ficar ali, só, a observar. Só a tentar perceber o porquê da fuga.
Será pela vontade de luxuria? Será que saturaram do que escrevo? Magoaram-se num movimento qualquer ou não querem sentir mais os dedos de alguém que me acompanha?
Dei folga aos dedos hoje. Menos a um. A um que nunca me abandona. O dedo que me ampara, que me consola, que me limpa. O dedo do Nariz.


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Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Entre os membros.

Entre os membros Homens.
Entre membros parte Deles.

Há.

Entre os membros.
Aí.
Exactamente aí. Nesse local.
Há uma orgia mental.
Uma devassa necessária.
Uma busca incessante,
Procura constante.


Membros. Entre vós.
Homens, Pernas…
É mundo de mundos.
Princípios e portas para outros fins.

Entre membros quero estar.
Sempre confortável.

Acomodado, a pensar o que Seria,
O que seria só desamparado.
A pensar ,
a pensar no “entre membros”.




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Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Não tenho dinheiro para te pagar. Sou anti-moeda. Não ligo a essas coisas.
Prefiro andar a pé que pagar bilhete, ter a minha horta com o poço e não comprar comida.
Aprendi medicina nos livros da biblioteca e especializei-me em chás que resultam melhor que qualquer medicamento de um laboratório qualquer.
Sou anti-moeda.
A roupa faço-a eu, os chapéus os sapatos os pijamas e até cachecóis e luvas. No inverno passado fiz um chapéu de chuva de ráfia. Leve, nada irritante, era diferente e não magoava ou irritava as pessoas nos passeios. Era mesmo o meu chapéu de ráfia para a chuva.
Telefonar está fora de questão. De quando em vez grito ou aproveito e monto-me na bicicleta feita com restos de alumínio que encontrei numa garagem de um senhor que se diverte a criar marquises diferentes. Um sonho. Gostava de ter uma marquise daquelas, mas sou anti-moeda e não tenho casa. Vivo na rua, numa habitação feita por mim com barro do Barreiro, argila do Meco e madeiras abandonadas como os animais das cidades.
Hoje fui ao banco. Nunca tinha sentido, visto, nunca tive a noção do que é "ir ao banco". Não gostei, tive que esperar, o dinheiro não se vê e as pessoas esbracejam e os empregados dizem que um tal de "sistema informático está em baixo". Não estive lá mais de cinco minutos e já foi demais.
Sou anti-moeda.
Resolvi correr, fazer exercício, comi uma sopa, um pão com passas da horta que tanto estimo. Deitei-me, olhei para o aquário que montei, cheio de peixarada do Rio Tejo, Taínhas, Douradas, um mundo salvo da parafernália do lodo. Olhei, olhei, e quando acordei tinha o comando da TV na mão e o BabyTV a embalar-me...
Sonhar é paz, mesmo que de guerra seja, é evoluir, criar no imaginário. Sonhar e ter a sorte de me lembrar...


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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007


Castrar Henriques.
Tivesse eu uma maquina do tempo e castrava o Afonso. Esse tal de 1º Rei.

Não havia herança humana dessa pessoa.
Parabéns, obrigado pelo país que nos deixaste.
Mas olha o povo que se criou?
Afonso, queres que os corte a bem...?

Que se cuidem os tubaros de Afonso, cuidado primeiro Rei, a salvação é a castração da tua herança humana. O PORTUGUÊS.
SACRIFICO A MINHA EXISTÊNCIA...


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Segunda-feira, Março 26, 2007


Sal e Zar
A história de duas prostitutas que governaram o Cais do Sodré durante décadas.

Sal era Moçambicana, à primeira vista uma moça sensata e bem parecida, com qualidades de artista e com muita cultura. Era muçulmana mas adere à ideologia cristã em Lisboa no dia que lava os dentes pela primeira vez com a mítica e milagrosa “pasta medicinal Couto”.
Zar, uma guineense com descendência alemã era funcionária publica. Farta do sindicalismo selvagem africano decide comprar uma mota e partir para o mundo europeu, o mítico ocidente que a sua descendência alemã tanto a inquietava conhecer.
As suas vidas cruzam-se ainda em África, quando se conhecem numa mítica casa de Marraquexe, em Marrocos, onde ambas se deliciavam com um belo prato de caracóis. A crise marroquina obrigou que as duas estrangeiras partilhassem o mesmo alfinete. Nessa bela tarde de sol começou aquilo que seria a maior parceria prostituída da historia da Europa.
Sal e Zar, orgulhosamente sós, entraram em Portugal pela fronteira do baixo Alentejo.
Daí levam na memória o choque dos usuais abusos sexuais nas planícies perpetrados pelos pastores aos rebanhos.
Assentam malas e bagagem em Lisboa. Zar vende a moto e com o pouco dinheiro consegue ser o sustento das duas. Mas as capacidades das jovens cedo se evidenciam pelas ruas da baixa pombalina.
Sal e Zar, chocadas com a pacatez do povo português decidem ser pioneiras rameiras.
O mote “«Vós pensais nos vossos filhos, nós pensamos nos filhos de todos vós».
O Cais do Sodré nunca mais voltaria a ser o mesmo. Impõem um regime de exclusividade, «Tudo pela Cais, nada contra o Sodré». Em menos de um mês, estas ilustres e pobres desconhecidas africanas passam para a ribalta e dominam completamente a prostituição e o ambiente, não só intelectual mas também estético da zona. Introduzem em Portugal a esquina com cheiro a urina e a ideia de menina de esquina.
Pensa-se que Sal e Zar tenham tido relações sexuais com mais de 14600 pessoas o que dá uma média de uma relação por dia durante 40 anos.
Sal e Zar morrem num numero lúdico de cabaret. O mítico jogo das cadeiras. No momento em que somente estavam 5 cadeiras, Sal e Zar sentam-se na mesma e o destino quis que esta dupla acaba-se não só o jogo mas também a sua vida. A queda da cadeira foi violenta. Sal e Zar somavam na altura 189 quilos.
O seu legado é ainda uma realidade. O Cais do Sodré vive e para sempre vai viver sobre a égide de SAL e Zar.


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Sexta-feira, Março 30, 2007

No metro olhava para o homem do karaté.. Ia sentado com umas sandálias de cortiça. As fivelas eram de pano, russas do uso, dos pontapés e do cão, companheiro que não o acompanhava.
O homem era bem constituído, tinha quase quarenta anos se não os tinha já ou mais. O desporto dá uma nova cara ao envelhecimento.
Na solidão da musica que me acompanhava, virei o olhar mais a sul. Uma mulher idosa, com os seus sessenta folheava uma revista de lingerie. Mulheres novas, bonitas, o oposto. Ela gostava. Parava em cada folha. Penso que pensava no passado, no seu corpo firme que agora é somente o seu corpo. Nada mais. A sua beleza é agora vitima de outro processo de apreciação.
Olhei em frente. O meu reflexo na porta. Eu ali sozinho comigo afinal.
Em casa a minha filha. O meu reflexo, carne e osso. Reflexo vivo de um pouco de mim, tudo de mim e de outros.

São muitos os motivos, as inquietações de viver.
Amor ao filho é a racionalidade no seu expoente máximo.



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Terça-feira, Abril 24, 2007


Sou hoje mais parvo que nos tempos de escola. Sou hoje mais infantil que nos tempos inocentes de querer ser adulto. Sou hoje mais ambicioso a aprender que nos tempos que a minha vida se limitava a...
Sou hoje mais homem.
Sou mais sincero, mais zen, mais calmo. Mais responsabilidades e menos stress.
Que me ensinou a vida que o desespero não constrói, destrói.
Que bebi dos amigos e referências que a vida é o momento, que se planeia o caminho para o percorrer mais facilmente.
Mas há acidentes. Sempre os há. Mas isso é natural, como eu sou natural, como a natureza das coisas evidencia.
Em suma, já tirei a mochila há muito. Já não carrego o peso, já não corro como antigamente, nem brinco na areia.
Hoje brinco ainda mais, sempre, constantemente e há quem me aponte, outros que me abraçam, outros que sorriem outros que calam, indiferentes, diferentes e aos que estão sempre presentes.
A vida morre de pé.

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Terça-feira, Maio 22, 2007

Mulheres de olhos brilhantes fleur du mal.
Pecados para quem é pecado.
Mulheres de olhos cintilantes, fleur du plaisir.
Pecados para quem pecar é olhar para mais que o mais que a vida já.
Mulheres de olhos. Com olhos.
Íris de vontade, nuas, evidentes ideias, consciências despidas de preconceito, pecados pedaços de malícia e vontade de poder.

Mulheres de olhos sujos, lágrimas, pinturas de guerra, pecados camuflados ou momentos de letargia.
Mulheres. Mulheres, fleur du mal.

Mulheres que olham, que concluem. Que sabem, que procuram.
Mulheres que lutam, suam do olhar.
Mulher de olhos verdes, que fazes aqui?
Que fazes desses olhos o que a ideia não faz à priori da acção.
Segredos sagrados olhos teus que de outras já conquistaram plateias, mundos e outros processos de aglomeração.
Poder. Poder olhar-te. Nos olhos pois claro.
Olhos de mulher olhos de homem. Olhar para os meus olhos no reflexo do teu olhar.
Saudade de me ver.
Olhos de mulher. Fleurs du mal.


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Quinta-feira, Junho 14, 2007


Um braço caiu-me, não me verguei.
Olhei para ele duas ou três vezes.
Disse volta.

Não me ligou.

Fez figas, virou-me a palma da mão e galgou,
palmou terreno.
Desapareceu no horizonte deixando mãozadas na areia.

Miserável.

Dei ordens ao braço que me restava.
Vai, busca o teu semelhante. Trá-lo de volta.

Fiquei desmembrado tempo de mais.
Traído. Vitima cúmplice de coisas minhas.

Encontrei-os mais tarde.
Numa loja de luvas.
De mão dada.
Deram-me um abraço, cada braço.
Pedi-lhes que voltassem. Não impedia a relação.
Apoiaram os cotovelos sobre a mesa.
Os dedos gordos giravam entre si enquanto os outros se cruzaram.

Fui enganado, morto ali.
Estrangulado pelos meus braços.
Braços que tinham ordens.
Ordens sintéticas.
Fui estrangulado por imposições estéticas.

Fui estrangulado por mim?
Os meus braços, mãos minhas em pescoço meu.
Suicídio?


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