quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quarta-feira, Novembro 15, 2006

Acordei sem dedos hoje. Onde estão os dedos? Perguntei eu ao que de mão não se parecia mas que desprovida de, não deixava de o ser. Incompletas. Onde estão os dedos? Procurei nos lençóis, debaixo da almofada. No sexo do amor. Na minha boca, no lixo na carteira até mesmo na caixa do correio.
Onde deixei os dedos? Por favor. Não gosto dessas brincadeiras logo pela manhã. Tenho que me lavar, vestir, tenho que me por a andar para a história de mais um dia.
DEDOS. DEDOS.
Podem aparecer. Sem medo. Não há castigo. Voltem à santa casa das minhas mãos que sem se parecerem não deixavam de o ser.
Subitamente ouvi algo. Algo metálico. Um tilintar. Vinha de dentro de uma caixa que guardo estupidamente e com desprezo em cima de um móvel no quarto.
Lá estavam eles. Em festa, embriagados com os anéis que não uso. Nem deram pela minha presença.
Deixei-me ficar ali, só, a observar. Só a tentar perceber o porquê da fuga.
Será pela vontade de luxuria? Será que saturaram do que escrevo? Magoaram-se num movimento qualquer ou não querem sentir mais os dedos de alguém que me acompanha?
Dei folga aos dedos hoje. Menos a um. A um que nunca me abandona. O dedo que me ampara, que me consola, que me limpa. O dedo do Nariz.


post original

Sem comentários:

Enviar um comentário